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HRMS cria serviço de cuidados paliativos e destina dez leitos a pacientes com doenças graves

Equipe multidisciplinar oferece cuidado físico, emocional e social, inclusive a crianças, desde o diagnóstico da doença“No começo, ouvir a palavra ...

04/11/2026 às 12h05
Por: Redação MS Fonte: Secom Mato Grosso do Sul
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Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul

Equipe multidisciplinar oferece cuidado físico, emocional e social, inclusive a crianças, desde o diagnóstico da doença

“No começo, ouvir a palavra paliativo foi assustador. A gente entrou em choque. Quando começou o tratamento, a gente entendeu que era um recomeço”. É assim que o motorista de aplicativo Jackson de Souza Ferreira, de 30 anos, descreve o primeiro contato da família com a expressão “cuidados paliativos”, durante uma internação da mãe no HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul).

A mãe de Jackson, Maria de Lourdes Souza, de 53 anos, é paciente oncológica desde 2023 e, há três meses, passou a receber cuidados paliativos. Desde então, ela é acompanhada pelo Serviço de Cuidados Paliativos, criado neste ano no HRMS.

Há quase dez anos, o hospital já contava com um serviço de pareceres e interconsultas em cuidados paliativos: pacientes internados eram avaliados por médicos (paliativistas), mas a internação dos casos não ficava a cargo desses profissionais. Com a criação do novo serviço, o HRMS destinou dez leitos para a internação de pacientes que passaram a ser acompanhados pela equipe especializada. O serviço atende pacientes já internados no hospital, encaminhados pelas equipes assistenciais, após a avaliação da especialidade. 

Chefe do serviço, a médica paliativista Fabiana Moreno explica que é comum as pessoas associarem o cuidado paliativo ao fim da vida, mas a missão é outra. “O cuidado paliativo não é só para quem está morrendo. É para quem tem uma doença grave e tem ainda uma vida pela frente”, resume.

>Equipe multidisciplinar do HRMS atende pacientes para um novo recomeço
>Equipe multidisciplinar do HRMS atende pacientes para um novo recomeço

Segundo Fabiana, o cuidado paliativo pode ser instituído em qualquer fase, inclusive no momento do diagnóstico de uma doença grave. “Insuficiência cardíaca, insuficiência renal, demência e câncer são algumas doenças em que, se for numa fase inicial, o cuidado paliativo entra de forma simultânea ao tratamento de base. O cuidado paliativo acompanha, cria vínculo, dá apoio psicológico e social à família”, explica. “À medida que vai diminuindo a possibilidade de tratamento para a doença, aumenta a oferta de cuidados paliativos para o paciente.”

O principal objetivo é dar mais qualidade de vida ao paciente, sem deixar de olhar para quem está próximo: os familiares.

“O cuidado paliativo parte do princípio de que o sofrimento não é só físico. Ele é psicoemocional, sociofamiliar e espiritual. Quando uma pessoa que a gente ama adoece, todo mundo adoece junto. Então, a gente precisa ter esse olhar para a família, para os amigos e também para a parte espiritual, porque somos corpo, mente e espírito”, destaca a chefe do serviço.

Maria de Lourdes é uma das pacientes que ficaram internadas sob os cuidados da equipe. Ela conta que, quando foi transferida para um leito de cuidados paliativos, achou que era para morrer. “Mas fez muita diferença para mim. Sinto menos dor, os medicamentos mudaram e o cuidado dos médicos ajuda muito. Fiquei com medo, mas fui entendendo e vi que eles estão lutando com a gente, buscando outros medicamentos para diminuir a dor”, afirma.

Desde junho, metade dos pacientes atendidos pelo serviço recebeu alta e voltou para casa. Após a alta, quem mora na área de abrangência do SAD (Serviço de Atenção Domiciliar) continua sendo acompanhado em casa. Quem mora fora dessa área retorna ao hospital para atendimento ambulatorial.

Com capacidade para atender crianças também, o serviço conta com quatro médicas paliativistas e uma enfermeira, que atuam com a equipe multiprofissional de cada setor: enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais. 

Neste ano, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) também criou o Núcleo Estadual de Cuidados Paliativos, responsável por coordenar a implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos, instituída pelo Ministério da Saúde em 2024, em Mato Grosso do Sul.

Para a diretora-presidente da Funsau (Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul), responsável pela administração do HRMS, Marielle Alves Corrêa Esgalha, a destinação de leitos e a criação do Serviço de Cuidados Paliativos refletem o compromisso do hospital com seus pacientes. “Nossa missão é cuidar do paciente independentemente da fase da vida em que ele está. Nós sabemos o quanto o cuidado e o acolhimento fazem a diferença, e isso foi determinante para criarmos o serviço. Mais do que uma meta, é um compromisso com o cuidado do nosso paciente”, afirma.

O cuidado, palavra que está no próprio nome do serviço, é o que orienta o trabalho da equipe. “O alívio do sofrimento é possível. Se tiver tratamento, a gente vai junto. Se não tiver, a gente fica”, resume Fabiana Moreno.

Patrícia Belarmino, Comunicação HRMS
Fotos: Patrícia Belarmino

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