
Conhecido como a maior planície alagada do planeta, o Pantanal destaca-se por suas belezas naturais e rica biodiversidade. No dia 2 de fevereiro, quando se celebra o Dia Mundial das Áreas Úmidas, o Bioparque Pantanal reforçou a importância das ações contínuas de conservação desenvolvidas com espécies do bioma, que se consolida como a maior área úmida continental do mundo.
O trabalho realizado no complexo turístico e científico aproxima os visitantes da compreensão sobre a relevância dos ecossistemas inundáveis e do papel fundamental das áreas úmidas na manutenção da biodiversidade e no equilíbrio ambiental.
Segundo o biólogo-curador do Bioparque Pantanal, Heriberto Gimenez Junior, a data é uma oportunidade de ampliar o diálogo com a sociedade. “O Bioparque tem um papel fundamental ao levar conhecimento ao visitante. Um dos nossos pilares é a educação ambiental, e transformamos todo o conteúdo científico produzido aqui em informação acessível para a população”, explica.



O biólogo reforça ainda que o aprendizado é essencial para a conservação. “É preciso conhecer para preservar. O conhecimento é fundamental para fortalecer as ações de conservação do nosso bioma, que é naturalmente frágil”, destaca.
Por meio de iniciativas que vão desde as explicações realizadas pelos condutores durante as visitas até ações voltadas ao bem-estar animal e à conservação, o maior aquário de água doce do mundo promove uma imersão profunda no conhecimento científico. O percurso permite que o visitante compreenda como o fluxo hídrico conecta diferentes espécies, sustentando a vida e garantindo o equilíbrio dos ecossistemas inundáveis.
O Pantanal está amplamente representado no Bioparque com mais de 270 espécies de peixes como piranhas, dourado, tucunaré e pacus, além de répteis como cobras e jacarés. Ao longo da visitação, cada tanque apresenta um conteúdo educativo específico, e os espaços expositivos aprofundam o conhecimento sobre a dinâmica ambiental do bioma.



Um dos destaques é o tanque de filhotes de arraias, onde os visitantes podem observar de perto o comportamento da espécie. Com o apoio de recursos como microscópios, materiais informativos e estruturas anatômicas, o público tem a oportunidade de compreender a importância ecológica desses animais, contribuindo para a desmistificação de informações equivocadas.
Além da visitação, o Bioparque Pantanal atua diretamente na conservação das espécies por meio de pesquisa científica e reprodução assistida. No Centro de Conservação de Peixes Neotropicais, são desenvolvidos trabalhos voltados à reprodução, manejo e estudo de espécies, contribuindo para a preservação e o fortalecimento das populações naturais.

Essas ações são complementadas por pesquisas realizadas in loco, como expedições científicas no Pantanal, que permitem o monitoramento dos ambientes naturais, a coleta de dados sobre comportamento, alimentação e reprodução das espécies e a aplicação desses conhecimentos no manejo e bem-estar dos animais sob cuidados humanos. As informações obtidas em campo servem como base para a melhoria contínua das práticas de conservação adotadas no Bioparque.


O conhecimento também é acessível às pessoas com deficiência. No Bioparque Pantanal, visitantes com diferentes limitações conseguem vivenciar o bioma de forma inclusiva. Pessoas cegas, por exemplo, são acompanhadas por profissionais e participam de experiências táteis com animais taxidermizados, tanques com água, pedras e plantas características do Pantanal.
Por meio do projeto Bioparque para Todos – Iguais na Diferença, profissionais capacitados e recursos tecnológicos são disponibilizados para garantir que cada visitante tenha uma experiência completa, educativa e inclusiva.



A diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, reforça o compromisso institucional com a conservação. “O Bioparque Pantanal assume o compromisso de traduzir o conhecimento científico para a sociedade, despertando a consciência ambiental e evidenciando a importância da preservação do Pantanal e de outros ecossistemas inundáveis do Brasil e do mundo. Ao observar de perto espécies que dependem diretamente desses habitats, o visitante compreende que proteger este bioma é, fundamentalmente, garantir a preservação da vida”, afirma.
Caio Henrique Romero e Gabriel Issagawa, Bioparque Pantanal
Fotos: Lara Mirada e Rosana Moura
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