
Nem o pedido de jejum e orações, por período de 48 horas, rito religioso que deveria ser cumprido entre segunda-feira (11) e ontem, pelos moradores da cidade de Iguatemi, de 13,7 mil habitantes, distante quase 500 quilômetros de Campo Grande, já na divisa de Mato Grosso do Sul com o estado do Paraná, salvaram a elegibilidade do vice-prefeito da cidade, José Roberto Felippe Arcoverde, o Zé Roberto, do MDB.
Semana passada, o vice recorreu às redes sociais e lá postou uma mensagem dramática, a de que precisava de reza e que os moradores amigos ficassem sem comer por dois dias como meio de lhe garantir o direito a permanecer na política.
“Como muitos de vocês sabem, tenho sido alvo de perseguição política e enfrentarei um julgamento sobre meu mandato anterior, por uma falha técnica que não me é imputável”, publicou o vice que, depois, completou:
“Neste momento desafiador, quero pedir a todos nós, como uma comunidade unida, que nos unamos na próxima segunda e terça-feira dia onze e doze, em oração e jejum”.
Zé, que já foi prefeito da cidade por duas gestões, de 2009 a 2016, teve um de suas contas reprovadas pelo TCE (Tribunal de Contas Estadual), a de 2015. O vicve recorreu, mas a corte manteve a repreensão.
Daí, a Câmara dos Vereadores, integrada por nove parlamentares, em sessão promovida ontem, terça, à noite, por meio de votos, definiu pela inelegibilidade de Zé Roberto. E a súplica pelo rito religioso era justo essa, que os vereadores não o tirassem a elegibilidade. Foram seis votos contra o vice, três a favor.
Na sessão de ontem, Zé Roberto, tentou, em vão, defender sua elegibilidade, num discursão em que disse ser inocente.
Ele afirmou que nada “fraudou, roubou, sumiu com recursos públicos nem se enriqueceu nos anos [8] que chefiou a prefeitura”. Não adiantou.
FUTURO COMPROMETIDO
O vice-prefeito tinha confidenciado a apoiadores e amigos que era intenção sua a de brigar pelo terceiro mandado nas eleições quem vem, outubro de 2024. Ele, embora vice-prefeito da cidade, rompeu pacto político com o prefeito Lídio Lesma, do PP, que já anunciou pré-candidatura à reeleição.
A decisão da Câmara dos Vereadores segue agora para o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), que deve homologar a decisão que tira Zé Roberto do páreo político. Não se sabe, ainda, oficialmente, ao certo, quanto tempo Zé Roberto, que é médico veterinário, fica fora da política. A decisão não mexe no atual mandato dele, o de vice, que dura até dezembro de 2024.
O Correio do Estado quis conversar com o agora inelegível Zé Roberto, mas não conseguiu até a publicação. Ele estaria fora da cidade. Assim que se manifestar esta reportagem será atualizada. Ele ainda pode recorrer.
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