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Secom aparelhada: meio bilhão para mídia bolsonarista Jovem Pan

De acordo com deputado, do grupo de Comunicação do Gabinete da Transição, Jovem Pan News recebeu R$ 750 milhões do atual governo

23/11/2022 às 18h14 Atualizada em 18/03/2023 às 09h50
Por: Redação
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Secom aparelhada: meio bilhão para mídia bolsonarista Jovem Pan

O deputado federal André Janones (Avante-MG) denunciou nesta quarta-feira (23) que o presidente Jair Bolsonaro (PL) praticamente triplicou as verbas da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) durante o ano eleitoral. O parlamentar faz parte do grupo técnico de Comunicação Social do Gabinete de Transição. Ele afirmou que a atual gestão gastou mais de R$ 500 milhões ao ano para financiar sites, blogs e emissoras bolsonaristas.

Para Janones, a Secom está intimamente ligada ao chamado “gabinete do ódio“, que ficou conhecido por divulgar informações falsas durante a pandemia, além de promover ataques apócrifos a adversários e ex-aliados.

Janones foi além. “Aquela conversa de ‘a imprensa fala mal de mim porque eu acabei com a mamata deles’, era tudo historinha de Bolsonaro”. O deputado acusa o atual governo de repassar R$ 750 milhões nos últimos anos para a Jovem Pan News, canal pago criado ano passado para fazer a defesa do atual governo. Além disso, ele ainda ridicularizou o colunista Rodrigo Constantino, após ser alertado pelo Instagram que o perfil do bolsonarista é conhecido por divulgar informações falsas.

Durante a campanha, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu três direitos de resposta na Jovem Pan à coligação do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Comentaristas e apresentadores da emissora chegaram a dizer que o Lula estaria mentindo ao alegar que foi inocentado nos processos da Operação Lava Jato. Além disso, o canal bolsonarista também ajudou a espalhar a mentira de que Lula eleito trabalharia para fechar templos e igrejas.

Paraná Pesquisa

Na semana passada, Janones denunciou que a Secom gastou R$ 13 milhões em pesquisas. Entre os principais beneficiários, o instituto Paraná Pesquisa, suspeito de insuflar as intenções de votos de Bolsonaro e aliados. Assim, após o órgão tentar desmentir as informações divulgadas por Janones, o parlamentar publicou uma página de uma apresentação do próprio órgão do governo, confirmando as informações.

Diante dessas e outras revelações, Janones acusou a Secom de atuar como uma “quadrilha”. Em resposta, o órgão divulgou uma nota pedindo “respeito mútuo” e “cordialidade” no processo de transição. Além disso, a Secom voltou a acusar o parlamentar de divulgar notícias “inverídicas”, o que “praticamente inviabiliza a realização de reuniões com o Grupo Temático”. Do mesmo modo, integrantes do órgão se recusaram a participar de uma reunião da transição ontem (22).

O deputado dobrou a aposta, e disse que não vai ser cordial com “bandido”.

Imbrochável

Ainda na semana passada, Janones também revelou que a Secom bancou a compra de bandeirinhas do Brasil utilizadas nos atos de Bolsonaro no último 7 de setembro. Na ocasião, o futuro ex-presidente utilizou a festa cívica para se promover politicamente e impulsionar sua campanha. Num dos momentos mais vergonhosos, Bolsonaro insuflou apoiadores a fazerem saudações a ele com gritos de “imbrochável”. Diante das ilegalidades cometidas, o TSE barrou a utilização das imagens do Dia da Independência no programa eleitoral de Bolsonaro.

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